Hoje não choveu em nós
Ontem teve chuva no meu Sertão. Todo mundo corria para fechar as janelas e não deixar água entrar, mas, como se fazia antes, a gente ficava naquela brechinha, ouvindo o som da água descendo, nobremente, para banhar o chão do meu Sertão. Aquele cheirinho de chuva, aquela paz, aquele céu nublado... era indescritível. Era como se a gente sentisse a mata viver novamente, pois rapidamente ficava verde outra vez e expulsava aquele cinza triste. E a gente vivia novamente, junto com as plantas e os animais. E todo mundo corria para ver a chuva descer, para comentar com os outros "Está chovendo, graças a Deus!" porque todo mundo ainda acreditava em Deus e agradecia pela chuva. Então as mulheres iam aproveitar a água para lavar a calçada ou o terraço, as crianças ainda saíam para tomar banho de chuva, debaixo das goteiras, pulando nas poças d'água, com a mãe reclamando "Só depois da segunda chuva!" porque a primeira fazia a limpeza. Todo mundo desligava o som...